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Contas em atraso caem a 29,3 por cento em outubro, mas chegam a 38,6 por cento até 3 mínimos

Resposta rápidaA pesquisa Peic, da CNC, divulgada em 5 de novembro de 2026, mostra que 81,6 por cento das famílias tinham dívidas em outubro e 29,3 por cento estavam com contas em atraso. Entre quem ganha até 3 salários mínimos, o atraso sobe a 38,6 por cento, e 18,3 por cento dizem que não conseguirão pagar. Essa foi a única faixa em que o atraso cresceu no mês.
Neste artigoO que a pesquisa de outubro mostraOnde o aperto continuaTrês números sobre o tamanho do problemaDívida, atraso e nome sujo não são a mesma coisaSe a sua conta está atrasadaPerguntas frequentesFontes

O que a pesquisa de outubro mostra

A média melhorou, mas não para todo mundo. É essa a leitura da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio em 5 de novembro de 2026.

Indicador (por cento das famílias)Out/2025Set/2026Out/2026
Têm dívidas79,581,781,6
Têm contas em atraso30,529,629,3
Dizem que não terão como pagar13,212,512,2

Repare em um detalhe. Na comparação com um ano antes, há mais famílias com dívidas e menos famílias em atraso.

Onde o aperto continua

A renda muda bastante o retrato de outubro:

Renda familiarTêm dívidasEm atrasoNão terão como pagar
Até 3 salários mínimos84,538,618,3
De 3 a 583,327,110,1
De 5 a 1079,319,77,4
Acima de 1071,515,05,2

A faixa de até 3 mínimos foi a única em que o atraso subiu no mês, de 38,5 para 38,6 por cento. Já a de 3 a 5 mínimos teve a maior queda, de 27,8 para 27,1 por cento.

Três números sobre o tamanho do problema

  • Tempo de atraso: a média ficou em 65,1 dias, e 48,8 por cento das dívidas atrasadas passam de 90 dias.
  • Peso na renda: 19,3 por cento das famílias têm mais da metade dos rendimentos ligada a dívidas.
  • Prazo: 33,4 por cento estão comprometidas com dívidas por mais de um ano.

Para a CNC, os dados indicam maior controle das contas. O economista-chefe da entidade, Fabio Bentes, associa a queda do atraso ao banimento das bets em outubro, que, segundo ele, deixou mais dinheiro com as famílias. A própria CNC ressalva que o efeito ainda não foi medido nos dados de consumo do IBGE, previstos para dezembro.

Dívida, atraso e nome sujo não são a mesma coisa

Duas coisas importam aqui. A primeira é que a Peic é uma pesquisa com cerca de 18 mil consumidores nas capitais e no Distrito Federal, baseada no que as famílias declaram. A segunda é que ela não conta negativados.

Esse número vem de outra fonte. Pelo Mapa da Inadimplência da Serasa, o Brasil tinha 84,2 milhões de pessoas negativadas em setembro de 2026.

Se a sua conta está atrasada

Esta parte é orientação da redação, sem relação com a pesquisa. Antes de aceitar qualquer acordo, confira três pontos:

Quem negociou em mutirão também pode conferir o prazo para o credor tirar o nome do cadastro. Procon, consumidor.gov.br e Defensoria Pública são canais oficiais para quem encontra cobrança errada.

Perguntas frequentes

Estar endividado é o mesmo que estar com o nome sujo?

Não. Na Peic, endividado é quem tem dívida a vencer, como cartão, carnê, consignado ou financiamento. Atraso e negativação são situações diferentes.

Quantas famílias dizem que não vão conseguir pagar?

Em outubro de 2026, 12,2 por cento do total, contra 12,5 por cento em setembro e 13,2 por cento em outubro de 2025.

Qual faixa de renda está pior?

A de até 3 salários mínimos: 84,5 por cento têm dívidas, 38,6 por cento estão em atraso e 18,3 por cento dizem que não terão como pagar.

A pesquisa mede o número de negativados?

Não. A Peic é feita com cerca de 18 mil consumidores nas capitais e no Distrito Federal. O número de negativados vem de outra fonte, como o Mapa da Inadimplência da Serasa.

O atraso deve continuar caindo?

A projeção da CNC é de nova redução das contas em atraso no próximo bimestre, com endividamento estável. É estimativa da entidade, não garantia.

Fontes

Revisão jurídica: Matheus Lorenzen do Amaral, advogado (OAB/RS 90.061 e OAB/SC 74.552), Araranguá/SC.
Atualizado em 6 de novembro de 2026. Conteúdo informativo, sem consultoria individual e sem oferta de serviços.

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