Mulher sem folga em domingo alternado: Justiça em Mossoró manda supermercado pagar em dobro
Neste artigo
O que a Vara decidiuO que a empresa alegouO que diz a leiO que o TST tem decididoE o fim da escala 6x1?Como conferir sua escalaPerguntas frequentesFontesO que a Vara decidiu
Uma operadora de caixa admitida em setembro de 2023, em escala 6x1, folgava sempre às terças-feiras. Foi à Justiça dizendo que a escala desrespeitava a folga dominical quinzenal prevista para mulheres.
O juiz titular Carlito Antonio da Cruz, da 3ª Vara do Trabalho de Mossoró, deu razão a ela. Os cartões de ponto comprovaram trabalho em domingos sucessivos.
A decisão manda pagar em dobro as horas trabalhadas a partir do segundo domingo consecutivo, com reflexos em férias com um terço, 13º e FGTS. Como o contrato continua ativo, foram negados os reflexos em aviso-prévio e multas rescisórias. Ainda cabe recurso. A nota do TRT-21, reproduzida pelo Portal CPA, não traz o nome da empresa nem o número do processo.
O que a empresa alegou
Três argumentos, e o juiz não acolheu a defesa:
- que já dava 24 horas seguidas de descanso semanal;
- que o artigo 386 da CLT não valeria mais após a Constituição de 1988, por tratar homens e mulheres de forma diferente;
- que a escala poderia ser definida por norma coletiva.
Para o juiz, a folga dominical quinzenal é norma de saúde, higiene e segurança do trabalho, e o tratamento diferenciado encontra apoio na Constituição.
O que diz a lei
O artigo 386 da CLT é curto. Havendo trabalho aos domingos, será organizada "uma escala de revezamento quinzenal, que favoreça o repouso dominical".
O ponto de conflito é outro. A Lei 10.101/2000 trata do comércio em geral e fala em coincidência com o domingo ao menos uma vez a cada três semanas. Qual regra vale para a comerciária?
O que o TST tem decidido
A resposta hoje pende para o artigo 386. Em acórdão assinado em setembro de 2024, em caso do comércio em Santa Catarina, a Subseção I de Dissídios Individuais do TST afirmou que o artigo 6º da Lei 10.101 não se sobrepõe à regra especial de proteção à mulher. Nesse julgamento, a escala 2x1 aos domingos foi afastada.
Em junho de 2026, a Migalhas noticiou decisão unânime da Seção de Dissídios Coletivos, também em caso do Rio Grande do Norte, que manteve a anulação de cláusula de folga a cada três semanas em convenção de hotéis, restaurantes e bares. O colegiado tratou o tema como direito indisponível e rejeitou o argumento baseado no Tema 1.046 do STF.
E o fim da escala 6x1?
A nota de Mossoró não trata da nova jornada aprovada pelo Congresso, que a Agência Brasil informa entrar em vigor em dezembro. As duas questões são diferentes: uma mexe na jornada e nas folgas semanais, a outra em qual dia cai a folga. Veja o que muda no guia sobre a Emenda 141.
Como conferir sua escala
Compare os domingos trabalhados nos últimos meses com os espelhos de ponto e guarde cópias. Se houver domingos seguidos, sindicato, Defensoria Pública ou advogado de sua escolha podem indicar o caminho.
Perguntas frequentes
Toda mulher tem de folgar um domingo a cada 15 dias?
O artigo 386 da CLT prevê escala de revezamento quinzenal quando há trabalho aos domingos. O TST tem aplicado essa regra às empregadas, mas cada caso depende da atividade e do histórico da escala.
Folga na terça substitui o domingo?
No caso de Mossoró, não. A operadora folgava às terças e recebia descanso de 24 horas, mas o juiz entendeu que isso não supre a folga dominical quinzenal.
Acordo coletivo pode reduzir essa folga?
Em decisão noticiada em junho de 2026, a Seção de Dissídios Coletivos do TST manteve a anulação de cláusula de folga a cada três semanas, por contrariar o artigo 386.
Isso vale para homens?
O artigo 386 está no capítulo da proteção do trabalho da mulher. No comércio em geral, a Lei 10.101/2000 fala em coincidência com o domingo ao menos uma vez a cada três semanas.
Qual é a prova do trabalho nesses domingos?
Em Mossoró, foram os cartões de ponto. Por isso, vale guardar espelhos de ponto e escalas.
Fontes
- Agência Brasil - Dino marca audiência de conciliação sobre fim da escala 6x1
- Portal CPA (TRT-21) - Vara condena supermercado por ausência de folga aos domingos para trabalhadora
- Migalhas - TST anula cláusula que reduzia folgas dominicais de mulheres
- TST - Acórdão da SbDI-1 no processo E-ED-ED-RR-1749-42.2016.5.12.0031
Atualizado em 7 de novembro de 2026. Conteúdo informativo, sem consultoria individual e sem oferta de serviços.
Continue lendo
Passageiro deixado desacordado na calçada: Justiça de MG condena a 99 a pagar R$ 300 mil
Para quem usa carro de aplicativo: a 32ª Vara Cível de BH condenou a 99 a pagar R$ 300 mil a passageiro deixado inconsciente na rua e depois vítima de estupro.
Deserdada por agressões de 2005, filha adotiva recupera herança: Justiça de SC anula cláusula
Para quem lida com testamento: vara de São Bento do Sul anulou deserdação feita em 2024 com base em boletins de 2005. Entenda a sentença e o que diz o Código Civil.
Desistir da adoção pode gerar indenização: casal de Formiga (MG) é condenado a pagar R$ 50 mil
Quem está em processo de adoção: Justiça de MG condena casal a pagar R$ 50 mil a dois irmãos devolvidos ao abrigo após cerca de 10 meses. Cabe recurso.