Vítima de câmera escondida: projeto eleva pena por filmar intimidade para até 4 anos de prisão
Neste artigo
O que foi aprovado em 4 de novembroComo é hoje e como pode ficarQuando a pena aumentaO que saiu do texto da CâmaraO que acontece agoraSe você foi vítimaPerguntas frequentesFontesO que foi aprovado em 4 de novembro
A Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) do Senado aprovou nesta quarta-feira (4) o Projeto de Lei 4.924/2023, da deputada Dayany Bittencourt (União-CE). O texto já tinha passado pela Câmara e endurece a punição para quem registra a intimidade de outra pessoa sem permissão.
A relatora, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), apresentou um texto alternativo. Ele mexe no Código Penal, no Estatuto da Criança e do Adolescente e na Lei de Interceptação Telefônica (Lei 9.296/1996).
Como é hoje e como pode ficar
Duas coisas mudam no centro do projeto. A primeira é a pena.
Hoje, o art. 216-B do Código Penal pune com detenção de 6 meses a 1 ano, e multa, quem produz, fotografa, filma ou registra cena de nudez ou ato sexual íntimo sem autorização dos participantes. A mesma pena vale para quem faz montagem para colocar alguém nessas cenas.
Pelo texto aprovado na comissão, a pena passa a reclusão de 1 a 4 anos, e multa, para as mesmas condutas, incluindo a montagem em foto, vídeo ou áudio.
A segunda mudança é o alcance. Segundo a Agência Senado, passam a entrar as imagens não autorizadas de partes íntimas do corpo, em lugar público ou privado, mesmo quando a vítima está de roupa íntima.
Quando a pena aumenta
O substitutivo cria hipóteses de aumento:
- metade a mais quando o autor se aproveita de atividade profissional, comercial ou funcional para facilitar o crime;
- metade a mais quando usa dispositivo escondido em residências ou em locais de privacidade especial, como banheiros, vestiários, provadores, quartos de hospedagem, consultórios e ambientes de exames ou procedimentos de saúde;
- de um terço a dois terços a mais na produção de material pornográfico com criança ou adolescente, quando há câmera escondida em casa, em ambiente escolar ou nesses mesmos locais.
O que saiu do texto da Câmara
A relatora retirou dois crimes novos que a Câmara tinha criado, a violação virtual de domicílio e um novo tipo de registro não autorizado da intimidade, e preferiu reforçar os crimes que já existem. Segundo Damares, a ideia é "preservar a coerência do sistema jurídico e reduzir eventuais dificuldades interpretativas".
O texto também troca a expressão "escuta ambiental" por "captação ambiental" na legislação, para abranger a captação de sons e imagens.
Também caiu a proibição do acordo de não persecução penal para esses casos. Com isso, valem as regras gerais do Código de Processo Penal, e o acordo depende de proposta do Ministério Público.
O que acontece agora
O projeto segue para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A tramitação ainda não terminou, e a pena maior só passa a valer depois de aprovação final e sanção. E vale apenas para fatos praticados depois da entrada em vigor: quem gravou antes responde pela pena atual, mesmo que o processo termine depois.
Se você foi vítima
Algumas atitudes ajudam a preservar a prova:
- guarde prints, links, datas e o nome ou perfil de quem gravou ou divulgou;
- registre ocorrência na delegacia, de preferência na Delegacia da Mulher quando houver, ou procure o Ministério Público;
- peça à plataforma a remoção do conteúdo pelos canais de denúncia dela.
Mulheres em situação de violência podem ligar para o 180. Quem não pode pagar advogado pode procurar a Defensoria Pública para orientação sobre o pedido de indenização.
Perguntas frequentes
O que diz a lei hoje?
O art. 216-B do Código Penal pune com detenção de 6 meses a 1 ano, e multa, quem produz, fotografa, filma ou registra cena de nudez ou ato sexual íntimo sem autorização dos participantes. A mesma pena vale para montagens.
O que o projeto muda na pena?
O texto aprovado na comissão prevê reclusão de 1 a 4 anos e multa, com aumento de metade quando o autor se aproveita de atividade profissional, comercial ou funcional para facilitar o crime ou esconde câmeras em residências, banheiros, vestiários, provadores, quartos de hospedagem e consultórios.
A mudança já vale?
Não. O projeto ainda vai à Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Enquanto não for aprovado e sancionado, continua valendo a pena atual. Se virar lei, a pena maior só alcança fatos praticados depois da entrada em vigor.
Foto de partes íntimas com roupa íntima entra?
Segundo a Agência Senado, o texto passa a alcançar imagens não autorizadas de partes íntimas do corpo, em lugar público ou privado, mesmo que a vítima esteja de roupa íntima.
Onde denunciar se fui vítima de gravação sem autorização?
Na delegacia de polícia, inclusive na Delegacia da Mulher, ou no Ministério Público. Guarde prints, links e nomes de quem enviou o material. O Ligue 180 orienta mulheres em situação de violência.
Fontes
Atualizado em 4 de novembro de 2026. Conteúdo informativo, sem consultoria individual e sem oferta de serviços.
Continue lendo
Empregado de empresa em recuperação judicial: projeto eleva a 10 mínimos o pagamento em 30 dias
Para quem trabalha em empresa em recuperação judicial: comissão da Câmara aprovou em 4/11 projeto que dobra o teto de salários pagos em 30 dias.
Projeto prevê pensão provisória paga pelo agressor à vítima de violência doméstica; comissão aprova
Comissão da Mulher da Câmara aprovou em 4/11 o PL 207/2026. Ele prevê pensão provisória mensal paga pelo agressor e bloqueio de contas dele. Veja o que muda e o que já vale.
Quem reclama de órgão público por telefone pode deixar de pagar a ligação, aprova CCT em 4/11
Projeto aprovado na CCT do Senado em 4/11 torna gratuitas ligações de fixo e celular para registrar reclamação em órgãos públicos. Veja o que falta.